domingo, 22 de abril de 2007

Saudade da Tua Voz...


Não quis que tu me visses tão diferente
Parti para mais longe desta vez
Deixei poemas meus a toda a gente
E a ti uma oração em que não crês.

Fui andando sozinha sem pensar
Em tudo quanto foi amor em nós,
Andavam mais saudades pelo ar
Que o vento arrancou à tua voz.

Talvez que eu regresse qualquer dia
E traga comigo outra vontade,
Que tudo entre nós seja alegria
E nada mais nos faça ter saudade.


(Interpretado por João Braga)

Porque, por vezes, "parece bastar um pouco de céu"...

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Se eu ainda fosse criança...


Posso já não ser assim, pequenina, com totós e brinquedos espalhados pelo meu quarto cor-de-rosa.

Mas esta é, sem dúvida, a criança que sinto que existe em mim...

(reparem no pormenor da mãozinha da Boo enquanto o Monstro se despede dela)



Nunca reprimam a criança que vive aí dentro.

Só uma criança consegue rir e chorar com tamanha honestidade e de forma tão espontânea...

A sinceridade pura apenas se limita ao coração de uma criança. Enquanto sentirmos que temos uma parte de nós colada a essa mente genuina que nos tentam fazer esconder, é sinal que transportamos um pedaço do verdadeiro tesouro da infância...

Devo dizer, crucial para sermos bons adultos!

terça-feira, 17 de abril de 2007

Nem sempre tudo é suficiente...


To love somebody naturally

To love somebody faithfully
To love somebody equally
Is not enough!

To love somebody secretly
To love somebody honestly (And always trust)
To love somebody tenderly
The tender touch is not enough
It's not enough!

Love hurts you sometimes
It's not so easy to find...
Searchin' everywhere, you turn and swear
It's always been there

To love somebody foolishly
To love somebody hopelessly (It hurts so much)
To love somebody equally
Is not enough!

Love takes a little time
It's not so easy to find...
Searchin' everywhere, you turn and swear
It's always been there...
Standin' there....

And if it don't come easily
One thing you must believe
You can always have trust in me
'Cause my heart will always be, yours honestly...
Van Halen


"The best Love is the kind of wick us the soul and make us reach for more...

That plants the fire in our hearts and brings the peace to our minds...

And that's what you've giving me...

And that's what I hope to give to you... Forever!"

quarta-feira, 11 de abril de 2007

É Urgente Voar...




O sonho... Meio caminho para a realidade!

O imaginar... A magia de acreditar!

Um céu cheio de estrelas não é impossível, mesmo que hoje ele esteja cheio de nuvens.

Um sorriso pode não estar presente mas basta fechar os olhos e sonhar...
Ele está lá, à nossa frente... A sorrir para nós!

E mesmo que o sonho nos conduza, algum dia, à desilusão...
Mesmo que tenhamos acreditado em algo que nos magoou...

O sonho ou uma vida sem algo que nos faça lutar?
Lutar pelo que compõe a nossa vida e tentar realizá-lo todos os dias!

O sonho não esgota!
Tal como o céu onde podemos todos voar!

Tudo isto me diz que é urgente voar!
É urgente sonhar...

segunda-feira, 9 de abril de 2007

A Vida Não É Dia Sim, Dia Não...

Geme o restolho, triste e solitário
A embalar a noite escura e fria
E a perder-se no olhar da ventania
Que canta ao tom do velho campanário

Geme o restolho, preso de saudade
Esquecido, enlouquecido, dominado
Escondido entre as sombras do montado
Sem forças e sem cor e sem vontade

Geme o restolho, a transpirar de chuva
Nos campos que a ceifeira mutilou
Dormindo em velhos sonhos que sonhou
Na alma a mágoa enorme, intensa, aguda...

Mas é preciso morrer e nascer de novo,
Semear no pó e voltar a colher.
Há que ser trigo, depois ser restolho
Há que penar para aprender a viver!

E a vida não é existir sem mais nada.
A vida não é dia sim, dia não,
É feita em cada entrega alucinada
Pra receber daquilo que aumenta o coração...

Mafalda Veiga "Restolho"

terça-feira, 3 de abril de 2007

A Felicidade Exige Valentia


Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não
esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.

É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no
recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter
medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...

Fernando Pessoa - 70º aniversário da sua morte

sexta-feira, 30 de março de 2007

O Amor

O estado mais elevado do amor não é, em absoluto, uma relação, é simplesmente um estado do seu ser. Tal como as árvores são verdes, um amante é amoroso. Elas não são verdes para determinadas pessoas, não é quando alguém se aproxima que elas ficam verdes.

A flor está sempre a espalhar a sua fragrância, quer alguém se aproxime ou não, quer alguém a valorize ou não. A flor não começa a libertar a sua fragrância quando vê que se está a aproximar um grande poeta - «Agora, este homem vai valorizar-me, agora este homem vai conseguir perceber quem eu sou.»

E ela não fecha as suas portas quando vê uma pessoa estupida e idiota a passar por ali - insensível, aborrecido, um político ou coisa assim. Não se fecha a si própria - «Para quê? Porquê atirar pérolas a porcos?» Não, a flor continua a espalhar a sua fragrância. É um estado, não uma relação.


"A Vida, o Amor e o Riso" de Osho

quinta-feira, 1 de março de 2007

MUDANÇA DE ENDEREÇO

O meu blog "Observe and Express It" está a sofrer grandes alterações!

Nesse mesmo caminho, o novo endereço da primeira parte do meu blog (a já conhecida por todos) é
http://www.one-consciencias.blogspot.com com o novo nome de "Consciências". Continua a ser o mesmo, com os mesmos posts e comments desde o início.

Agradeço a todos os que lêm, comentam e partilham as vossas expressões neste blog que é tanto meu como vosso! O meu sincero obrigado. Que continue a ser um cantinho de eleição da vossa preferência!

Beijinhos no vosso coração...

Ni*

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

O meu abrigo... Para te esconderes...


Olha pra mim

Deixa voar os sonhos

Deixa acalmar a tormenta

Senta-te um pouco aí

Olha pra mim

Fica no meu abrigo

Dorme no meu abraço

E conta comigo

Que eu estarei aqui

enquanto anoitece,

enquanto escurece

e os brilhos do mundo

cintilam em nós

enquanto tu sentes

que se quebrou tudo

eu estarei

sempre que te sentires só...

Olha pra mim

Hoje não há batalhas

Hoje não há tristeza

deixa sair o sol

Olha pra mim

fica no meu abrigo

perde-te nos teus sonhos

e conta comigo

eu estarei sempre

que te sentires só...


Tu que foges do Mundo, se te queres esconder... Esconde-te em mim!

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Mil e Um Sorrisos e Dois Mil Abraços e Um Milhão de Beijos...


Bem, foi precisa uma boa estalada para me dar conta que SOU FELIZ!!

E, se não posso mudar as pessoas, não deixo de ser feliz na mesma...

Amanhã, já sei que vou acordar com um sorriso enorme, gigantesco, muito "huge" e vou tentar que o ouças... Sei que te vai fazer bem saberes que provocas coisas tão boas!


Apetece-me acordar-te e dizer-te que te ADORO assim MUITO e que morro de saudades desse olhar manhoso, desse sorriso manhoso, desse carinho delicioso, dessa voz que me canta e encanta, desse abraço que segura toda a minha vida, dessa calma que torna o meu coração num sono tranquilo... Tenho saudades de TI!


Perante a situação, devia chorar "baba e ranho" e estar agoniada, porque o tremer que tenho aqui dentro tem esse efeito escuro nas pessoas. Mas NÃO me sinto assim! Tenho vontade de correr, rir e dançar! Já é de madrugada e eu ainda danço ao som de uma música que, espero eu, dançar um dia para ti!
Parece que te consigo ouvir cantar ao meu ouvido e, se desejar com muita força tal como uma criança, as tuas mãos passeiam no meu rosto antes de adormecer. Inevitalvelmente, fazes isso nascer todas as noites e manhãs e tardes, em mim...


O Amor faz de nós pessoas grandes ou, pelo menos, faz-nos sentir assim. Sinto-me uma árvore com imensos ramos capazes de tocar em todas as pessoas que passam por mim. Acarinhá-las com as minhas folhas e protegê-las do vento.
Vem sentar-te debaixo de mim e grava no meu tronco o teu coração. Sobe por mim acima e vê como é lindo tudo o que temos à nossa volta! É isso que te quero mostrar: todos os sorrisos que provocas e todos os corações em que vives!


Quanto mais damos mais recebemos e, por isso, a razão de estar assim. Hoje, ainda mais que nos outros dias, dei-te mil e um sorrisos, dois mil abraços e um milhão de beijos. Pensei em ti com toda a força que tinha, de maneira a ela se instalar em ti como uma semente e fazer renascer uma nova vontade. Daí estar cheia de sorrisos, abraços e muita força! Daí o meu pensamento estar sereno e tão positivo. Daí a esperança surgir de cada poro da minha pele.

O meu presente são as minhas palavras que, sei, são fortes demasiado para voarem com qualquer vento que seja. Porque, enquanto as escrevo, elas são carimbadas no meu coração. É essa a origem delas e onde vivem.

Por isso, estou aqui... De braços abertos e com um sorriso maior que o Mundo para poder partilhar tudo isto não só com o papel e com a caneta. Quero MOSTRÁ-LO e DAR-TO a ti!!

(Penso que nunca fiz um post tão nua e crua, sem rodeios e com uma esperança que assusta...)

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Meu Amor...


O teu coração está livre mas seguro em mim.



Foram estas as palavras que me surgiram após uma tarde a tentar dizer-te algo que te confortasse. Nada mais sincero ou genuíno da minha parte se não mostrar-te o que sinto: o teu coração a bater dentro mim a acompanhar o meu, o teu sentimento a correr no meu sangue, no meu corpo. Seria difícil viver sem este interior divino!
O meu Amor por ti não suporta nada, compreende o teu silêncio ou a tua ausência. Tenta compreender-te, não como sou mas como tu és!


Fazes parte da minha paz!
E eu estou aqui, sempre... Para ajudar a restabelecer a tua!



Aquele beijo... Meu Amor!

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Coragem: um dos braços do Amor...


"A palavra «coragem» é muito interessante. Provém da raiz latina, cor, que quer dizer coração—, portanto, ser corajoso significa viver com coração. Os covardes e só os covardes vivem com a cabeça; estão atemorizados, rodeiam-se da segurança da razão. Atemorizados, fecham todas as janelas e as portas e se escondem detrás. O caminho do coração é o caminho da coragem. É viver na insegurança, é viver com amor, com confiança; é entrar no desconhecido. É renunciar ao passado e permitir o futuro. Coragem é entrar por caminhos perigosos. A vida é perigosa, e só os covardes podem evitar o perigo, mas então, já estarão mortos. A pessoa que está viva, realmente viva, vital, sempre se aventurará ao desconhecido. Ali encontrará perigos, mas se arriscará. O coração sempre está disposto a arriscar-se, o coração gosta de apostar. A cabeça é um homem de negócios. A cabeça sempre faz cálculos, é ardilosa. O coração não é calculador. A palavra inglesa courage é muito bonita, muito interessante. Viver através do coração é descobrir o significado. O poeta vive através do coração e, pouco a pouco, começa a sentir no seu coração os sons do desconhecido. A cabeça não pode escutá-los, está muito longe do desconhecido. A cabeça está cheia do conhecido. O coração é futuro; o coração é esperança, o coração sempre está em algum lugar do futuro. A cabeça pensa no passado, o coração sonha com o futuro."

"Coragem" de Bhagwan Shree Rajneesh [OSHO]

Esta semana, que ainda não acabou, tem-me posto à prova. Peço desculpa, porque depois de ter conseguido manter-me forte e confiante durante vários dias, ontem fui fraca... E essa fraqueza acabou por me magoar ainda mais e por perturbar quem me queria ajudar. Ontem, faltou-me a coragem. Rendi-me a um medo que me atormenta e me persegue. Encarei-o durante tanto tempo sem temer e a minha energia traiu-me. Faltou-me a força para continuar. Mas hoje, o coração falou mais alto. Numa espécie de renovação, acordei cheia de energia e com vontade de seguir em frente. Acordei a sorrir... Tu, meu Amor, foste uma das minhas razões de vontade e força. Porque te magoei ao não falar contigo com medo de me achares fraca... E em consequência, acabei por o ser, quando já não me podias abraçar ou agarrar as minhas mãos, mas apenas ouvires-me a chorar num sítio onde não conseguias alcançar... Porque perturbei a tua paz não te deixando chegar até mim, ouvindo-te mas não te escutando, fazendo com que te sentisses revoltado com a incapacidade de não conseguires fazer parar a dor que me torcia o pensamento e o coração. Hoje acordei a sorrir! Pedir-te desculpa não serviria de nada... Mas se soubesses que sorria, seria um calmante nesse lindo coração. Conseguir ser novamente forte e como sempre me conheceste - a sorrir! Pensar no futuro... Tanta coisa boa que está a acontecer na minha vida: o coração cheio, prestes a rebentar (sorrisinho manhoso), uma experiência nova: a independência completa, uma óptima equipa de trabalho, uma segunda família excelente e fantástica com tanta gente nova que tem tanto para me ensinar e eu tanto para aprender com eles, consigo correr e andar aos pulos logo de manhã e ao fim do dia, consigo sorrir com a alma tranquila e o coração cheio de energia. E enquanto isso acontecer, é sinal que não falta Amor na minha vida. E é esse Amor, que vive em mim e com o qual eu sou abençoada, que me dá a coragem que sinto hoje para enfrentar as dificuldades e as surpresas que a vida vai criando para mim... E se as lágrimas caem agora, é porque me dei conta novamente, ao escrever este texto, o quanto o ser humano deixa de ser frágil se não estiver sozinho...

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

A minha força para ti...

"A alegria está na luta, na tentativa, no sofrimento envolvido.
Não na vitória propriamente dita."


"Mantém os teus pensamentos positivos, porque os teus pensamentos tornam-se nas tuas palavras.

Mantém as tuas palavras positivas, porque as tuas palavras tornam-se nas tuas atitudes.

Mantém as tuas atitudes positivas, porque as tuas atitudes tornam-se nos teus hábitos.

Mantém os teus hábitos positivos, porque os teus hábitos tornam-se nos teus valores.

Mantém os teus valores positivos, porque os teus valores ...

Tornam-se no teu destino."

Mahatma Gandhi - मोहनदास करमचन्‍द गान्‍धी

sábado, 10 de fevereiro de 2007

Saudades... Mary...








ADORO-TE!!!

Quase que te consegui sentir...

Os meus passos ficaram, hoje, marcados na areia molhada...O vento ficou a saber um pouco mais de mim, e o silêncio sussurrou-me que sem ti não há nada e eu sorri. O céu deixou escapar as lágrimas que me torcem o coração, que me apertam o pensamento e torturam cada pedacinho deste sentimento.

Tive vontade de fugir, de correr até não poder mais, de te procurar no meio da escuridão que era o mar. O nosso mar que, hoje, reclamava a tua presença, que quase me roubava para ele só por me querer abraçar. Esperei que a lua iluminasse cada pedaço de mim perdido na areia. E iluminou também o lugar que me fez lembrar de ti. Não, não é perigoso andar de noite na praia. Perigoso é ser feliz...

"Quero ter você bem mais que perto", quero que me oiças, tenho tanto para te contar. Gente que partiu e que chegou na minha vida.
É tão difícil tentar, por um momento, não pensar, não sentir falta desse sorriso, desse jeito de me provocar, desse teu doce olhar.
Eu não consigo esconder a minha vontade de nunca querer sair do teu lado, as ondas que desenhas com cuidado dentro de mim. Quero que me prendas aos teus braços, quero ficar com o teu sorriso preso aos meus lábios. Gostava tanto de conseguir sentir a tua pele macia, que marcasses na minha cada palavra que me cantas ao ouvido.

Queria saber deixar-te ir e segurar as saudades, as vontades, os sonhos junto a mim. Mas elas não me pesam, empurram-me e colocam-me na carruagem mais rápida na tua direcção. E eu não nego, essa viagem faz-me feliz... Gostava que um dia te perdesses em mim, que te esquecesses dessa postura presa e ocupada, que os teus pés não soubessem mais o caminho sem mim... "Eu quero te roubar pra mim"...

O meu pensamento é perdido com a subtil facilidade com que foges do que levas por dentro. Puxa-me pra ti, pra dentro de ti. Não me deixes aqui, eu não suporto estar sozinha quando estou sem ti. Por enquanto, fecho os olhos sem sentir... Mas lá vem a recente lembrança de tanta doçura e com ela o meu coração fica preso, deixando-se levar e fingindo que é forte pra não chorar...

domingo, 4 de fevereiro de 2007

Há dias assim...


Hoje chorei...
Chorei como já não o fazia há bastante tempo. Senti uma variedade de dores, aparentemente, pequenas que, ao fim do dia, se tornaram numa só e me afligiram o equilibrio.

Queria ter tido coragem de pedir um abraço a tempo, de dizer que estava triste. Mas mal me deparei com tanta ocupação pós-laboral dos meus colegas, limitei-me a virar as costas e percorrer um longo caminho que me fez sentir e ouvir mais alta a minha dor.


Hoje, deixei-me entrar no carro e nem tempo tive para o ligar pois as lágrimas começaram a cair. Caíam com vontade, sem medo do vazio que vieram encontrar cá fora. Desliguei a música e deixei-me ficar. Deixei-me ir na esperança de esvaziar este tormento e ficar bem.
Cheguei à garagem e custou-me imenso sair do carro. Queria parar de chorar.
Reparando bem, eu conheço-me, e sei que eu queria o tal abraço que não pedi. Talvez a energia que ele me tivesse dado dissipasse qualquer tipo de dor dentro de mim.

E agora, surpreendentemente, continuo a chorar. Tenho a minha cara relaxada e serena. As lágrimas já descem de maneira diferente, tranquilas e sem pressa. O meu desejo é que, com elas, vá este conflito que se instalou em mim e que me atormenta qualquer segundo deste meu momento... De volta, quero a minha alma em paz.

sábado, 3 de fevereiro de 2007

"Hoje apetece-me..."

O "Hoje apetece-me..." é uma secção nova do meu blog!
Foi criada com o objectivo de dedicar músicas, vídeos, livros e tudo o que se possa imaginar, às pessoas que me rodeiam e que, de muitas maneiras, me fazem sentir bem!



A primeira dedicatória vai para a Mariana Brandão (mais conhecida como a "Mariana da noite", sem interpretações maldosas).


Porque também me identifico imenso com esta música, e porque hoje ela me diz imenso, mas, e principalmente, porque sei que ela é importante para ti e que fez parte de uma fase muito marcante!

Bigada por me sorrires, por nunca me fazeres cara feia, por me ouvires, por tudo o que fazes e que sabes bem o efeito que isso tem em mim. Por curiosidade, hoje, pela terceira vez, perguntaram-me se eras minha irmã... :)

Beijinho ternurento...

quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

O meu coração falou...


"Como o tempo passou... Como é incrível, nada mudou. Como o meu coração aperta quando não dizes nada. O tempo continua a ser eterno longe de ti e as saudades persistem no meu coração.
Parece um sonho sentir as tuas mãos na minha cara, o teu beijo apaixonado, o teu Adoro-te ao meu ouvido, o teu olhar cheio de ternura...

Adormecer nos teus braços é alcançar o cume da minha paz... (06-12-2006)"

in "As Palavras dos Sentimentos" de Conceição Martins


Durante tanto tempo o meu coração encheu o teu.
Era ele que te falava, que te consolava, que te suspirava as palavras que querias ouvir. Quando sentias frio ele partilhava contigo todo o calor que tinha, mesmo que isso implicasse ficar gelado. De ti... pouco sentia. Mas a vontade de te dar não se ía, e pouco se foi.
Um dia, o meu coração calou-se nos gestos, nas palavras, na presença. Apenas o seu pensamento ainda falava contigo. Todos os dias e em momentos improváveis, proferia o seu lamento que acabava num sorriso sem controlo. Era feliz só de pensar em ti.
Sem contar, foste conhecendo as suas tentativas de voltar a falar a alguém. E falou... Ainda que com vergonha, poucas palavras conseguiram sair, pois o meu coração sempre continuou a falar, no meu pensar, no teu sorriso, no teu olhar, na saudade de tão perfeito entendimento com o teu. Mas agora, pouco ou nada ele lhe conseguia dizer. Quando se calou, lançou-te o dom de só tu lhe dares voz outra vez. Em silêncio, usava as asas que lhe emprestaste para pairar sobre os teus sonhos, sobre o teu pensar, sobre o teu coração sen nunca lhe poder falar.
Até que chegou um momento em que comecei a ouvir a tua voz. Ao longe, sem entender bem o que dizias, desejava ouvir-te mais, melhor, e ver-te, somente a sombra. A força que um dia provocava tempestades dentro do meu coração tinha-se transformado em tranquilidade e em paz. O meu coração, já paciente, esperou que te aproximasses, que te fizesses ver e ouvir tanto o quanto gostarias. Baixinho, ainda te chamou para perto, pensando que não irias responder. Quando levantei os olhos, estavas tu e o teu coração. Nele trazias o meu sorriso, a minha voz, todos os momentos que não se deixaram esquecer e as palavras que o meu coração te enviou, em pensamento, no silêncio que nos rodeou. Não me entregaste nada porque tudo isto fazia, já, parte dos teus dias. Apenas a minha voz foi devolvida para voltares a ouvir-me.
Tocando mãos com mãos e o olhar fundido no mar, o meu coração preenchendo, novamente, o teu, voltou a falar-te...




sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

A propósito...


A propósito de o tema estar novamente em voga, e que a polémica e as dúvidas não desapareceram após tanto tempo e o esclarecimento não surge de lado nenhum, veio o meu post anterior "Na altura de criar, eu errei!".
Felizmente, nada me identifica com esta letra e em nada poderá um dia significar algo dentro de mim. Quem me conhece, e não é preciso conhecer-me há anos, sabe que o meu sonho, o meu grande Sonho é ser mãe! Há dias em que o meu coração aperta só de tanto o desejar. Mas, e como sempre defendi, um sonho e o facto de vibrar imenso com ele e com o momento em que o concretizar não implica e, muito menos, quer dizer, que o queira real neste preciso momento. Necessárias são a estabilidade financeira, económica, pessoal, emocional, etc. Estabilidade, aqui, equiparo a "equilibrio". Uma criança necessita de equilibrio!
Quando ouço, e agora tão frequentemente, o assunto da despenalização do aborto e todas as discussões que dele suscitam, tento colocar-me no lugar em que estou e num lugar mais desesperado. E em ambos, grávida!
Não conseguia sequer colocar a questão de não ver, não sentir, não acompanhar, não abraçar, não muita coisa que faz parte de todo um desenvolvimento, de toda uma vida de um filho. A outra hipótese seria... não sonhar? Seria... viver para sempre com memórias não vividas, que não fazem parte do passado nem do futuro?
Esta é uma opinião pessoal que só a cada um diz respeito. Sim, a cada um e não a cada uma. Um filho não se faz sozinho, e não é por ser a mulher o local onde é concebida e transportada a criança, que o pai fica de lado. Existem pais, e eu conheço :), que fizeram tudo para que as namoradas tivessem o filho que, afinal, era deles. A decisão não é da mãe, é dos pais. Dentro da barriga da mãe ou fora dela, a criança é igualmente dos dois. Por isso, não concordo com a despenalização da mulher.
Existem casos em que o pai não quer saber e até, a melhor hipótese para ele, é o aborto. Aí, a mãe tem de ser mais forte. Ninguém pede para nascer, nenhum de nós o fez, mas não estariamos aqui se alguém tivesse ponderado o nosso nascimento.
O meu sonho é ser mãe, gerar um filho meu, mas também o é noutra prespectiva maior. Um desafio bastante grande o da adopção, mas um desafio tão gratificante pela humildade e gratidão da criança adoptada. Para mim, é o Amor que tenho dentro de mim que chega a doer para poder ser dedicado, entregue, atribuído...
Sejam responsáveis, pensem no futuro que pode ser muito próximo. Existe tanta informação, tanto conhecimento por aí espalhado... Hoje em dia, só engravida quem quer! E se não querem, pelo menos agora, não arrisquem o momento em que o puro egoísmo saltará na decisão de quem não se pode defender!
Sublinho, esta é a minha opinião. Não deixo de respeitar as opiniões contrárias.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

"Na altura de criar, eu errei..."


Parabéns... Pede um desejo!

Por favor, aceita as minhas desculpas
Pergunto-me como é que terias sido...
Terias sido um pequeno anjo ou um anjo de pecado?
Um rapaz que corria por todo o lado
Junto com os outros miúdos,
Ou um pequeno durão com uns lindos olhos castanhos?

Eu paguei pelo crime antes de saber o sexo,
Escolhendo a nossa vida sobre a tua vida:
significou a tua morte...
E tu nunca tiveste sequer a oportunidade de abrir os olhos.

As vezes pergunto-me se, enquanto feto, terás lutado pela tua vida?
Terias sido um pequeno génio, um cromo da matemática?
Terias brincado com as roupas da escola deixando-me furioso?
Terias sido um pequeno "rapper" como o teu pai?
Ter-me-ias feito deixar de fumar encontrando um dos meus isqueiros?

Pergunto-me qual teria sido o teu tom de pele e a forma do teu nariz?
E a maneira como terias rido e falado, rápido ou devagar?
Penso nisso todos os anos, por isso peguei numa caneta: Parabéns!
Amo-te quem quer que tu tivesses sido...

O que julguei ser um sonho... Afinal era a realidade, e eu errei!

Eu tenho um milhão de desculpas para tu teres morrido.
Aposto que todos têm a suas razões para cometer um homicídio.
Quem pode dizer se teria resultado
E quem pode dizer que não teria?

Eu era novo, estava na luta...
Mas tinha idade para ser teu pai.
O medo de ser como o meu pai nunca desapareceu.
Penso nisso muitas vezes entre golos de cerveja.
A minha ideia de família era artificial e falsa.
Por isso na altura de criar eu errei!

Agora tens um irmãozinho, será que ele és tu?
Talvez nos tenhas perdoado sabendo com estavamos confusos.
Talvez, sempre que ele sorri, és tu, orgulhosamente, sabendo...
Que desta vez o teu pai fez o que estava certo.

Nunca digo a uma mulher o que fazer com o seu corpo,
Mas se ela não gosta de crianças não estamos na mesma estrada.
Penso nisso todos os anos, por isso peguei na caneta:
Parabéns!

Amo-te quem quer que tu tivesses sido.
E dos céus até ao ventre e de volta para os céus,
Do final até ao fim sem nunca ter começado,
Talvez um dia...
Nos vejamos cara a cara num lugar sem tempo ou espaço!

O que julguei ser um sonho, afinal era a realidade...
Eu errei!

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

A pedido de muitas familias...

Ora, a pedido de muitas familias, de muitos amigos, meros leitores e desconhecidos, aqui está a música de Ana Carolina cuja letra abriu o meu post "Este fim-de-semana deixei-me flutuar". Chama-se "Eu não paro" e é do novo CD intitulado "Dois Quartos" e faz parte do "Segundo Quartinho".
As fotos são minhas... De muitos momentos em que esta música se encaixaria perfeitamente!
Disfrutem, reflictam e, principalmente, interiorizem a letra e a música. Extremamente real e doce...

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Rir e Sorrir... Se faz favor!!



"Seja sempre uma expressão de alegria. Triste é o pecado. Feia é a maldade. Cruel é a ausência de Deus. Se está inundado da luz divina, se o seu coração se inclina para o amor e para a bondade... Transmita aos seus semelhantes a vida que está dentro de si, sempre que tiver oportunidade, estampando nos seus lábios, e mesmo no seu olhar, aquele doce sorriso que garante a presença de Deus na presença do amor."

Sem dúvida alguma, um texto e uma fotografia que me define. Que nos define, minha amiga paixão!! Mesmo quando pareça que a nossa disposição não é esta temos sempre uma à outra para nos recordarmos que o melhor da vida é poder sorrir. E se for com uma companhia sorridente, ainda mais vontade e mais valioso se torna o riso ou sorriso!

Rute, Adoro-te Muito!!

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Este fim-de-semana deixei-me flutuar...



Quando eu vou parar e olhar pra mim
Ficar de fora
E olhar por dentro

Se eu não consigo

Organizar minhas idéias

Se eu não posso

Se eu esqueço de mim?


E eu pensei que fosse forte

Mas eu não sou...


Quando eu vou parar pra ser feliz

Que hora

Se não dá tempo

Se eu não me encontro

Nos lugares onde eu ando

Nem me conheço

Viro o avesso de mim?


Se eu não sei o que é sonhar

Faz tanto tempo

Tanto mar

E o meu lugar
É aqui?

Uma rua atravessada em meu caminho

Nos meus olhos
Mil faróis

Preciso aprender a andar sozinha

Pra ouvir minha própria voz

Quem sabe assim

Eu paro pra pensar em mim

Quem sabe assim
Eu paro pra pensar em mim...



"Eu não paro" de Ana Carolina



Este fim-de-semana foi silêncio, foi solidão, foi momento...
Foi fuga ao Mundo, foi cobardia, foi isolamento...
Foi um tempo só meu, um lugar para me encontrar, um repensar de mim.
A calma estava cá, a tranquilidade também, a paz é que não.
Tu tinhas a parte de mim que mais me fazia falta, a que toma conta de mim.

Este fim-de-semana foi essência, foi sonho, foi escuridão...
Foi sentimento, foi saudade, foi aperto...
Foi reflexão do Mundo, foi descanso da mente, foi incompleto sem ti.
O Amor estava cá, mas já transbordava.
Precisava de encher esse teu coração com o que eu mais tinha que era o que mais falta te fazia.
Os meus olhos cheios de água... E o teu mar vazio...

domingo, 14 de janeiro de 2007

Um bocadinho do que sou...





GREEN

You are a very calm and contemplative person. Others are drawn to your peaceful, nurturing nature.



Sou verde... Cor da Natureza, dos vegetais (hummm) e do Sporting!




Ora, tenho um pedacinho da personalidade do Touro... Da personalidade, só!




Beijos de chocolate?? Nunca ouvi falar mas quem me conhece sabe que não me importava de provar... ;)






Oh... E do meio de muitos animais animados, eu sou o Ursinho Pooh. Esta deixou-me enternurada...*¨*

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

Apresentação...


The Kiss by Gustav Klimt


Não te cobro a lógica,
Não te peço a coerência,
Tu és pura emoção.

Tens razões e motivações próprias...
És movido por paixão,
Essa é a tua religião e a tua ciência.

Não meço o teus sentimentos,
Nem os comparo a nada.
Deles sabes tu,
Tu e os teus fantasmas,
Tu e os teus medos,
Tu e a tua alma.

A minha incerteza fere-te, mas não te mata.
As minhas dúvidas batem-te,
Mas não te deixam cicatrizes.

Não te falo das nuvens,
Tu és o Sol e a Lua,
Não conto as poças,
Tu és o mar...
Profundo, intenso, passional.

Não te exijo prazos e datas,
Tu és eterno e atemporal.
Não te imponho condições,
Tu és absolutamente incondicional.
Não espero explicações,
Tu não as tens, apenas aconteces,
Sem hora, local ou ordem.

Vives em cada molécula,
És o todo e és uno,
Não te vejo,
Mas sinto-te.
Estás tanto na minha solidão,
Quanto no meu sorriso.

Vive-se por ti,
Morre-se por ti,
Sobrevive-se sem ti.
És começo e fim,
E todo o meio.

És o meu objectivo,
A minha razão que a razão
Ignora e desconhece.


Tens milhões de definições,
Todas certas,
Todas imperfeitas,
Todas lógicas apenas
Em motivações pessoais,
Todas corretas,
Todas erradas.

És tudo,
Sem ti, tudo é nada.
És o amanhecer,
És Fênix,
Renasces das cinzas,
Sabes quando tens que morrer,
Sabes que sempre irás renascer.

Mudas de protagonista,
Nunca de história.
Mudas o cenário,
Mas não o roteiro.

És a música...
Ecôas, reverberas, sacodes.
És o fogo...
Queimas, destrois, incineras.
És a água...
Afogas, inundas, invades.
És tempo...
Sem medidas, sem marcações.
És clima...
Proporcional a tua fase.
És vento...
Arrastas, balanças, carregas.
És furacão...
Destróis, devastas, arrasas.
Mas és tijolo...
Constróis, recomeças...
És cada estação,
No seu apogeu e glória.

És o meu problema
E a minha solução.
És o meu veneno
E o meu antídoto.
És a minha memória
E o meu esquecimento.

Tu és o meu reino, o meu altar
O meu trono.
És a minha prisão,
És o meu abandono e és a minha liberdade.
A minha luz, a minha escuridão
E o meu desejo de ambas.
Velas no meu sono...

Poderia continuar a descrever-te
Mas já dei uma ideia do que és... AMOR!

Adaptado por Conceição Martins

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

A nossa paz...



"A paz encontra-se aqui e agora, em nós próprios e em tudo o que fazemos e vemos. A questão é se estamos ou não conscientes dela. Não é preciso viajarmos para longe para admirarmos o céu azul. Não temos de nos afastar da nossa cidade ou até do nosso bairro para apreciarmos os olhos de uma bela criança. Até o ar que respiramos pode ser uma fonte de prazer.”

Thich Nhat Hanh in "Harmonia a cada passo"

domingo, 7 de janeiro de 2007

A Compaixão: Fundamento da Felicidade Humana

Há cerca de dois anos, participei num workshop de criatividade de uma semana, na Universidade do Minho, cujo título era "Imagination is more important than knowledge". Consistiu numa simulação de uma agência de publicidade em trabalho, durante uma semana. Ao longo desse tempo, o nosso orientador do workshop foi analisando atitudes, ideias, reacções, capacidades e outros aspectos dos vários elementos dessa mesma agência simulada.
No final do workshop, fomos convocados para uma reunião onde os trabalhos seriam apresentados, criticados e, por fim, o balanço dessa semana ía ser discutido por todos. O nosso orientador, com base em tudo o que apreciou e prensenciou no decorrer dos cinco dias, decidiu caracterizar cada elem
ento com uma característica que, na sua opinião, definiria a pessoa. Chegada a minha vez, eu fui "Compaixão" aos olhos dele. E, após uma breve explicação que justificaria a sua escolha, o orientador não tinha uma pequena ideia que essa palavra iria ficar carimbada até hoje, em mim.
Enquanto lia um texto composto por outros vários textos, da sua Santidade Dalai Lama, foi com um sorriso que reconheci uma parte com uma definição de compaixão como uma peça essencial à felicidade do Homem. Identifiquei rapidamente esta definição com a justificação do orientador do workshop em me caracterizar como "Compaixão".
Este mesmo texto, lido com a sua
devida atenção e com total abertura da mente, é um tesouro que enriquece qualquer um sem notáveis esforços.



"Há inúmeras qualidades que são importantes para a paz de espírito, mas, pela pouca experiência que tenho, creio que um dos elementos mais importantes é a atitude humana de afeição e de compaixão: o sentimento que nos leva a interessar-nos pelos outros.

Permitam-me que explique o que entendo por compaixão. Habitualmente, o nosso conceito de compaixão ou de amor refere-se ao sentimento de proximidade que temos pelos nossos amigos e entes queridos. Por vezes a compaixão acarreta também um sentimento de piedade, o que não está certo - qualquer sentimento de amor ou de compaixão que implique olhar de cima para os outros não é uma verdadeira compaixão. Para ser autêntica, a compaixão deve basear-se no respeito pelo outro e na compreensão de que os outros, tal como nós, têm o direito de ser felizes e de acabar com o sofrimento. A partir daí, porque tomamos consciência do seu sofrimento, desenvolvemos um verdadeiro sentimento de preocupação pelos outros. Quanto à proximidade que sentimos pelos nossos amigos, em geral esse sentimento é mais um tipo de apego do que compaixão. A verdadeira compaixão deve ser imparcial. Se nos sentimos próximos dos nossos amigos, mas não dos inimigos ou do grande número de pessoas que nos são desconhecidas e indiferentes, nesse caso, apenas temos uma compaixão parcial ou preconcebida.

Como disse atrás, a verdadeira compaixão baseia-se no reconhecimento de que o direito dos outros à felicidade é idêntico ao nosso e que, por conseguinte, mesmo um inimigo é um ser humano que, tal como nós, aspira à felicidade e, tal como nós, tem o direito de ser feliz. Chamamos compaixão ao sentimento de interesse pelos outros que se desenvolve nesta base - uma compaixão que se estende a todos, independentemente da atitude amigável ou hostil que possam ter por nós.


A compaixão dá-nos igualmente uma grande força interior. Uma vez desenvolvida, ela abre-nos, naturalmente, uma porta interior, através da qual podemos comunicar facilmente e de coração a coração com os nossos semelhantes, os seres humanos, e mesmo com os outros seres sensíveis. Por outro lado, se tivermos ódio e maus sentimentos pelos outros, eles poderão sentir o mesmo por nós. Em consequência, a suspeição e o medo acabam por criar uma grande distância entre nós e os outros, ao ponto da comunicação tornar-se muito difícil e de acabarmos por nos sentir sós e isolados. Não significa que todos os membros da comunidade vão nutrir sentimentos negativos para connosco, mas talvez alguns olhem para nós de uma maneira negativa, por causa da nossa própria atitude.
Se cultivarmos sentimentos negativos pelos outros e ainda assim esperarmos que eles nos tratem com amizade, não estamos a ser razoáveis. Se quisermos que a atmosfera que nos rodeia seja mais amigável, temos de começar por criar um terreno que o proporcione. Caso mesmo assim os outros reajam negativamente connosco, temos então todo o direito de agir em consequência.

A compaixão cria naturalmente uma atmosfera positiva e, em consequência, sentimo-nos tranquilos e contentes. Onde quer que viva uma pessoa compassiva, reina sempre uma atmosfera agradável. Mesmo os cães e os pássaros aproximam-se facilmente de pessoas assim. Portanto, se quisermos ter verdadeiros amigos, temos de começar por criar uma atmosfera positiva à nossa volta. Nós somos, apesar de tudo, animais sociais e os amigos são muito importantes.

Como havemos de fazer para provocar um sorriso nas pessoas? Se ficarmos carrancudos e desconfiados, é muito difícil. Se tiverem muito dinheiro ou poder, talvez consigam obter de algumas pessoas um sorriso artificial, mas um verdadeiro sorriso só pode surgir da compaixão.


Quando somos concebidos e enquanto estamos no ventre da nossa mãe, a sua atitude compassiva e a tranquilidade do seu estado mental são factores muito positivos para o nosso desenvolvimento. Se o espírito da mãe for muito agitado, isso prejudica-nos. E ainda mal começamos a nossa vida! Aliás, no próprio momento da concepção, o estado de espírito dos pais é importante. Uma criança concebida através de uma violação, por exemplo, não será uma criança desejada, o que é horrível. Para que tudo se passe da melhor maneira, a concepção deve proceder de um amor verdadeiro, de um respeito mútuo, e não de uma paixão desenfreada. Não basta um caso amoroso pontual, os dois parceiros devem conhecer-se bem e respeitar-se - é a base de um casamento feliz. Além disso, o casamento devia ser para a vida inteira ou, pelo menos, durar muito tempo. Nessas condições é possível dar origem a uma nova vida convenientemente.

Descobriu-se que as crianças que crescem em lares onde o amor e a afeição estão presentes têm um desenvolvimento físico mais saudável e são melhores alunos. Em contrapartida, as crianças carentes de afeição têm mais dificuldades em desenvolver-se física e mentalmente. Mais tarde, quando forem crescidas, ser-lhes-á igualmente mais difícil mostrar afeição, o que é uma grande tragédia.


Uma disposição afectiva não só torna o espírito mais calmo e tranquilo, como afecta positivamente o nosso corpo. Por outro lado, o ódio, a inveja e o medo perturbam a nossa paz de espírito, tornam-nos agitados e afectam negativamente o nosso corpo. O próprio corpo precisa de paz de espírito e não lhe apraz a agitação. Isto mostra-nos que o apreço pela paz está-nos no sangue.


Por conseguinte, embora haja quem não esteja de acordo, creio que apesar do lado agressivo da nossa natureza fazer parte da vida, a força dominante da vida é a afeição. Razão pela qual é possível fortalecer esta bondade fundamental, que é a nossa natureza humana.


Noutras situações, por exemplo, ficamos doentes e quanto mais pensamos na nossa doença mais frustrados ficamos. Neste caso, talvez seja útil compararmos a nossa situação com o pior cenário possível relacionado com essa doença ou com o que aconteceria se tivéssemos apanhado uma doença ainda pior, etc. Deste modo, podemos consolar-nos, ao compreendermos que podia ser pior. Uma vez mais, treinamo-nos em ver a relatividade da nossa situação. Se a compararmos com algo de muito pior, isso reduz imediatamente a nossa frustração. Similarmente, quando as dificuldades surgem, talvez elas nos pareçam enormes se as olharmos de perto, mas, se olharmos para o mesmo problema numa perspectiva mais alargada, ele parece logo menos importante.

Graças a estes métodos e ao desenvolvimento de uma perspectiva mais vasta das coisas, sempre que tivermos de enfrentar problemas poderemos diminuir a frustração. Talvez precisem de um esforço constante, mas, se o aplicarem deste modo, verão que o vosso lado irritado irá diminuir. Enquanto isso, o vosso lado compassivo vai-se fortalecendo e o vosso potencial positivo desenvolvendo. Combinando estas duas abordagens, uma pessoa negativa pode tornar-se numa boa pessoa. É este método que utilizamos para efectuar esta transformação."


"A Compaixão: Fundamento da Felicidade Humana"
apêndice ao livro de Sua Santidade o Dalai Lama “As Quatro Nobres Verdades”